Caça as Bruxas – Por Adriano Siqueira

Posted in Contos on segunda-feira | 1 | junho | 2009 by Cavaleiro Valente

Medieval0086

Valente cavalgava em seu cavalo pela floresta quando de repente, escuta gritos de uma mulher. Ele levanta a espada e fala com bravura.
– Seja lá qual for o motivo deste grito eu a salvarei!
Galopando com muita velocidade ele encontra uma mulher de cabelos ruivos e roupas escuras correndo desesperada. Ele consegue alcançá-la e a segura pelos braços colocando-a em seu cavalo. Curioso ele pergunta:
– O que aconteceu? Por quê está correndo?
Antes dela responder Valente galopa para o centro da floresta e se esconde entre as arvores.
– Acho que aqui estaremos seguros!
Valente olha e fica encantado com a beleza da mulher. Seus olhos eram brilhantes e ela tinha um corpo escultural. Uma beleza encantadora. Ela olha para ele. Ainda estava com medo. Mesmo assim ela respira fundo e diz.
– Meu nome é Neican. Alguns homens entraram na minha casa. Pegaram todos os meus pergaminhos. Queimaram todos. Eles disseram que eu estava invocando o demônio. E que eu deveria ser queimada. Joguei um feitiço neles para cegá-los momentaneamente para que eu pudesse escapar e foi assim que você me encontrou.
– Então você é uma Bruxa?
– Sim! Parece que todos os homens daqui tem medo das mulheres que tem conhecimentos sobre a natureza e a lua.
– Eu já encontrei algumas bruxas boas e más. E as más eram tão belas quanto você, por isso se tentar jogar um dos seus feitiços em mim…
A Bruxa coloca os dedos perto dos lábios do cavaleiro e diz:
– Não sou má. Apenas uma mulher que tem curiosidade na arte da bruxaria. Meus trabalhos são para a natureza e para o bem estar da humanidade.
– Então por quê eles querem capturá-la?
– Porque o rei assim ordenou. Estes homens devem enforcar todas as bruxas que encontrarem.
– Sou um cavaleiro. Tenho meu rei mas não é desta região. Tenho certeza que reis não fariam isso a toa.
– Dizem que o rei daqui foi amaldiçoado, que ele perderia todas as batalhas por causa de um feitiço de uma bruxa! Então ele resolveu enforcar todas para quebrar esta maldição.
– Neican! Você precisa sair daqui! Ir para outro reino! Algum que tenha um rei que não seja louco.
– Eu não sei o que fazer. Eu estou tão sozinha. Minha família me abandonou, minhas amigas tem medo de mim.
– Valente a abraça tentando conforta-la e quando se olham eles se beijam.
O cavaleiro baixa a sua guarda por alguns instantes e alguém sorrateiramente desce de uma árvore e puxa rapidamente Neican do Valente e diz alegremente.
– Uma mulher… E com o sangue fresco.
O cavaleiro olha para o misterioso ser e percebe que ele tem caninos pontiagudos. Ele fica na posição de ataque e diz com fúria.
– Large esta mulher imediatamente ou cortarei a sua cabeça vampiro!
– Não se alarme cavaleiro. Em breve ela será uma vampira com o poder da eternidade e nenhum homem terá poder para lhe fazer mal.
Neican reage jogando um feitiço em uma árvore. Os galhos prender o vampiro.
Valente pega na mão de Neican da um tapa no cavalo que corre para um lado diferente do dele e eles correm pela floresta.
– Alguns soldados encontram os dois e o Valente luta com velocidade derrubando os homens dos cavalos. Mas eles eram muitos e conseguem segurá-los. Um dos soldados avisa:
– Pela ordem do rei! Esta bruxa deve ser enforcada imediatamente.
O casal estende as mãos tentado se tocar mas cada vez mais os soldados os distanciam.
– Neican! Não vai terminar assim eu vou salvá-la.
Um dos guardas pega um livro e começa a ler enquanto os soldados amaram a mulher e preparam a corda na árvore.
– Que esta bruxa queime pela eternidade e que a sua alma seja aprisionada neste livro que jamais deverá ser lido por uma mulher e que este livros seja enterrado junto com o seu…
Antes de termiar a frase o corpo do soldado é destroçado. O vampiro rasga o seu pescoço e se alimenta. Depois olha para o Valente e diz.
– Achou que uma simples árvore poderia segurar eternamente um vampiro cavaleiro?
Enforquem agora! – um dos soldados diz desesperadamente e os que a seguravam largam o seu corpo que rapidamente começa a cair com a corda no pescoço. O vampiro grita!
– Não Ela é minha!
O vampiro voa e a segura por alguns segundos ele morde o seu pescoço. Mas no momento que ele ia tirar a corda do seu pescoço uma lança atravessa o coração dos dois e eles caem.
Com o impacto o pescoço da Neican é quebrado e os corpos ficam balançando até que o corpo de Neican se transforma em gasoso e vai em direção ao livro que se fecha.

Valente fica um pouco atordoado com a rapidez do acontecimento e antes dos guardas prendê-lo o cavalo do Valente aparece em velocidade e ele consegue montar e fugir com o livro.

Continua…

Neican é personagem da Medye Platinun
http://andandocomestranhos.blogspot.com/

“Antes de lutar” – Por Adriano Siqueira

Posted in Contos on quarta-feira | 27 | maio | 2009 by Cavaleiro Valente
desenho - anderson siqueira

desenho - anderson siqueira

Deus das batalhas
Mais uma vez eu clamo seu nome
para assistir a mais uma justa.

Hoje lutarei novamente, por minha honra,
por minha espada, por minha vida!

Assista tranquilamente e mantenha-se atento a cada golpe,
de minha espada e dos meus punhos.

Entretenha-se vendo meus inimigos perecerem.

Em troca destes momentos,
só lhe peço que me mantenha vivo,
para que sempre eu lhe dê
este momento de diversão

Pois sei que nenhum Deus,
só vive de trabalho e criação.

Que o senhor se mantenha,
sempre presente,
nas batalhas do Cavaleiro Valente.

O homem que queria ser rei

Posted in Contos on domingo | 26 | abril | 2009 by Cavaleiro Valente

cavaleiro valente desenhado por anderson siqueira

cavaleiro valente desenhado por anderson siqueira

 

O homem que queria ser Rei
por Adriano Siqueira
siqueira.adriano@gmail.com

O Cavaleiro Valente estava caminhando com seu cavalo Branco pela floresta e encontra uma cabana.

-      Branco! Vamos ver se tem alguém lá para tomar um copo d'água!
-      Branco balança a cabeça em sinal de protesto.
-      Ah!... Deixa disso Branco é só uma cabaninha inofensiva.
Valente e Branco entram na cabana que estava aberta. Havia apenas uma mesa com um computador ligado.
-      Olha branco. Um artefato mágico. E tem a foto de uma mulher com vestido vitoriano.Para que serve isso?
Valente usa o mouse e clica na foto e aparece outra.

Veja Branco ela esta chorando! Uma donzela em perigo!
Branco balança a cabeça novamente e tenta puxar o Valente.
-      Olha Branco ela está no castelo, na masmorra e está sofrendo... Temos que salvá-la. Mas onde será? Valente clica
novamente e aparece uma logomarca. BEM-VINDO AO MUNDO VAMPYR.
Então é lá que ela está? Vamos Branco! Temos uma missão!
Valente olha para a tela novamente e vê uma palavra em destaque. – internet –
-      Branco? O que é internet?

Branco levanta suas patas dianteiras e tenta destruir o computador
relincha desesperado.

-      Para com isso Branco! Deixa eu pensar... Inter – dentro - net... Rede... Dentro da Rede... Oh!! É uma armadilha!!!!

Quando branco consegue destruir o computador. Uma rede cai sobre ele prendendo o cavalo. O Valente Fica Desesperado.

-      Branco!!! Branco!!!

Valente diz para o Branco que vai procurar ajuda e corre para a floresta.

Depois de correr uns 500 metros Valente encontra um homem com barba e de cabelos cumpridos e escuro e sorrindo levanta os braços e diz:

-      Olá meu amigo! Estava mesmo procurando você!
-      Eu? Quem é você?
-      Todo mundo me conhece! EU SOU  DEUS NOITE!!!
-      Não... eu não conheço você!
-      Talvez seja a entonação da voz... Preste atenção... Agora com um pouco mais de grave na voz.
-      EU SOU O DEUS NOITEEEEEE!!!
E Eu sou o Valente e meu cavalo esta preso naquela cabanaaaaa!!!
-      Ah... entendi! Você está em choque por isso não me reconheceu... Tudo bem! Eu entendo! Não é todo mundo que encara normalmente uma divindade!
Valente olha sem entender nada e diz:
Meu cavalo esta preso. Preciso de ajuda para tirá-lo da rede.
-      Rede? - Deus Noite diz!  - Você acessou o MUNDO VAMPYR?
-      Bem!... Acho que sim.
      -     Meu amigo... Seu cavalo esta em apuros. Aquela cabana tem um alarme e logo os guardas aparecem por lá, levam seu cavalo para trabalhar no portão do castelo. É bem cruel. Eles o amarram e usam para puxar as portas! O problema é que os cavalos não resistem muito. Construí para elefantes.

-      Você construiu? 
-      Eu... Sim claro! Eu era o dono. SOU DEUS NOITE DONO DO MUNDO VAMPYR!!!

-      Porque está aqui na floresta?

-      Fui expulso! Meu povo se rebelou contra mim. E eu não sei direito do por quê mas, sei que um dia voltarei para aquele castelo e meu reino estará novamente em minhas mãos. E eu não fiz nada de mais. Estava tudo certo existiam muitos bares e ruas com meu nome.
Eles cantavam um hino toda a noite para mim.

Deus Noite começa a cantar e dançar em ritmo de Ópera!

"Quando anoitEEce ele aparece
Seu mAAAnto divino aquece
Seu nOOOme, ninguém esquece.

Deus NOOOOite é eterno!

É REEEEi por ser Noite
É DEEEEus por ser Rei!"

Valente também canta e dança, mas em ritmo RAP.

É verdAde meu brother!
Também fAlo dos meus feitos
Não sapatÊio nas baladas
Sou um "reservAdo" por Meu direito.

As mulhEres que conheci
Se fOram sem me conhecer!

Pega LEve mano brother!
Sou VaLEnte Cavaleiro!
Grande gaaaarOto da alegria.
Minha espAda é meu semblante e me garante.
Todo o meu peito arrepia
em cada aventura,  em cada briga!

Sou guerreiro celibAto
Sou um Valente danAdo!

-      huahuahuhauhuahuhauhuahuhuhau!!!!
-      Que foi Deus Noite?
-      Você é virgem, EUNUCO!!! Huahuahuhauhauhauha!!!
-      Eu não sou Eunuco!
-      Olha Valente, para mim dá no mesmo! Bom! Temos que elaborar
um plano para pegar o meu reino de volta e tirar o seu cavalo deste
apuro. Seeeeeee você for beeeem legal e me ajudar, eu vou te dar
algo que vai ser útil para tooooda a sua vida!!!
-     
-      O que é?
-     
-      UMA CAMISA DO MUNDO VAMPYR!!!

-      Ebaaaaa! Cadê? Me dá agora!!!

-      Oras... É sua! É só pegar lá no Mundo Vampyr!!!

-      Ah! Então está bem! Vou pelo Branco.

-      Mas leve as estacas!

-      O que?

-      Sim Valente! No mundo Vampyr só existem... Vampiros!

Valente engole seco quando Deus Noite mostra seus caninos
pontiagudos e diz:

-      Vampiros de novo? Eu odeio Vampiros...

Continua...

A fada e o Cavaleiro – por Adriano Siqueira

Posted in Contos on domingo | 26 | abril | 2009 by Cavaleiro Valente

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A Fada e o Cavaleiro
Por Adriano Siqueira

Cavaleiro Valente caminha em passos lentos sempre com a sua espada em guarda para desbravar esta nova floresta desconhecida.
Seus ouvidos atentos escuta os passos de alguém que estava caminhando bem perto.
Ele espera o momento certo e finalmente ataca. Mas ele acerta apenas o tronco de uma arvore.
Ele escuta risos vindo de cima da arvore. Ele vê a silhueta de uma mulher iluminada pela lua.
– Quem está ai! – ele pergunta com a espada em punho.
– Sou eu seu bobo.
– Thorn?! Fada Thorn?
Valente larga a espada e com a ajuda de suas asas Thorn desce da árvore lentamente até chegar aos braços do valente. Ele a segura, ela retira seu elmo e lhe dá um beijo.
– Não acredito que esta aqui! Só pode ser um sonho. Se for… Não quero acordar jamais.
– Estou aqui mesmo meu cavaleiro. Em seus braços.
– Thorn você precisa sair daqui! Meu mundo é perigoso e cheio de surpresas alem disso o autor é um louco. Seu único desejo é me matar.
Thorn coloca o dedo nos lábios de Valente e ele fica calado. Os olhos do cavaleiro se impressionam com a beleza daquela fada e por alguns segundos admira o seu sorriso. E então eles se beijam por um longo tempo.
Valente aproveita cada segundo. Ele ainda não poderia acreditar que a mulher que ele amava estava ali mesmo na sua frente e em seu mundo. Ele não pensava por quanto tempo ela ficaria ali. O que importava mesmo era aqueles pequenos segundos em que seus lábios tocavam a boca de Thorn. Mas ele estava preocupado. Solta os seus lábios por alguns instantes, segura o ombro de Thorn e diz:
– Você não entende Thorn. Sou um bom cavaleiro. Sou um bom guerreiro. Minha espada já cortou a cabeça de inúmeros inimigos. Mas o amor… Eu não tenho muita experiência com mulheres. Posso decepcioná-la seriamente.
– Eu não me importo…
– Você não entendeu direito deixe-me ser mais claro… Eu não sou o tipo de cavaleiro que procura tabernas para se divertir com as mulheres profissionais. Eu não faço sempre. Tive poucas… Só as que amei realmente.
– Isso só é motivo para eu te amar mais.
Os olhos do Valente ficam mais brilhantes. Ele respira fundo.
– Este sentimento que estou experimentando agora é magnífico. Não me lembro de sentir isso antes. Será o amor? Será que um cavaleiro como eu pode realmente sentir este… Milagre?
– Você faz muitas perguntas. Porque não passeamos um pouco.
– As mãos… – Valente diz bem baixo. – Seria meus sentimentos? Thorn… Eu já senti suas mãos antes?
– É a primeira vez que nos tocamos meu cavaleiro. Não poderia senti-las antes.
– São tão macias…
Valente pega algumas flores e entrega para Thorn. Ela sorri e as cheira por alguns momentos.
– Beije-me Valente. Deixe-me sentir seus beijos misturados com o cheiro das flores.
Valente toca novamente em seus doces lábios.
A fada Thorn pega novamente as mãos do Valente e o leva para uma cabana. Dentro da cabana havia muito feno e algumas folhas secas. Ela faz o Valente ficar deitado. Ele tenta dizer algo mas ela o silencia com o dedo novamente em sua boca.
– Não meu cavaleiro. Apenas relaxe e me assista.
– Espere Thorn! Por favor. Deixe-me beijá-la novamente. Quero tocar em seus cabelos e sentir a sua pele bem perto de mim.
Thorn sorri e atende seu desejo.
Aos poucos ela ajuda Valente a tirar a armadura e ele fica apenas com as poucas roupas de baixo. Eles se deitam e aos poucos ela toca levemente a pele de Valente.
Ele chega a tremer e se fecha com alguns movimentos da fada. Ela sorri e diz:
Calma… relaxe apenas. Não precisa tremer. Eu estou aqui para proteger você… Só fique calmo e relaxado.
Valente observa os movimentos da fada em seu corpo. Algumas vezes ele tremia, mas a fada sempre o beijava até ele relaxar novamente e logo continuava a acariciá-lo.
Quanto mais os toques da fada ficavam cada vez mais ousados, Valente respirava fundo e olhava atentamente os movimentos da fada até que ela coloca a mão nos olhos de Valente. Ele relaxa finalmente. Deixa as mãos da fada passear pelo seu corpo. Ele sorri. É um sorriso gostoso como se tivesse tomando banho em um lago.
Eles ficam horas juntas. Valente sente prazeres que nunca sentiu antes e que jamais pensou existir. Quando toda aquela onda de prazer termina. A fada encosta-se ao peito de Valente e fica passando a mão levemente no seu corpo até adormecer.
Valente se levanta calmamente vai para fora da cabana senta no chão e chora silencioso. Ele não sabe explicar exatamente porque esta chorando. Mas não consegue se conter. Ele agradece silenciosamente aquele dia. Agradece os sentimentos e o amor que ele experimentou.
Olha para o céu e vê um mundo que ele jamais conhecia. Jamais imaginaria que existia. Ele se sente mais vivo do que nunca. Volta para dentro da cabana para agradecer a sua amada por aquele dia tão especial. Mas ele não encontra a fada. Ele grita seu nome por um bom tempo até que ele se ajoelha e vê um pouco de cabelo amarrado. Ele cheira por um tempo e guarda com ele pois este presente representara eternamente seu encontro com aquela fada à única mulher que ele realmente amou e que jamais esquecerá.

Informações adicionais: A fada Thorn é uma personagem criada pela Camila Bernardini do blog www.escuridaonoturna.blogspot.com para a história “Os guardiões de Kiara”

Cuidado Cavaleiro Valente

Posted in Contos on domingo | 8 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

Cavaleiro Valente

Encantos – mini-conto com 4 finais – por Adriano Siqueira

Posted in Contos on domingo | 8 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

Encantos

– Minha amada! Seus olhos brilham como diamantes.
– Obrigada My Lord. É sempre bom ouvir seus galanteios todas as
manhãs.
– Minha amada! O calor do seu coração é maior que o Sol.
– Oh! Mais assim eu não resisto. Você me comove sempre.
– Minha amada! Você é mais bela queeeeummmmm…

Fim com cara de continuação.
– Mãaaaaaaae!!! A pilha do boneco cavaleiro valente acabou de novo!!!!

Fim com cara de suspense
A menina joga o boneco no chão e fica pisando nele quebrando todas as
partes…
– Eu quero o Boneco do Valenteeeeeee!!!!

Fim com cara de Violência
O boneco Valente tenta jogar a menina pela janela mas é impedido pela mãe.
A mãe da menina bate no Valente com a vassoura.

Final Feliz.
O boneco Valente pede desculpas e todos se abraçam para tiram fotos.

Abraços
Adriano Siqueira

História para o Cavaleiro Valente – por Priscilla Jarra e Cintia Barcellos

Posted in Contos on domingo | 8 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

por Cintia Barcellos Lacerda / Carmilla
e
Priscilla Jarra / Deankth

Parte I – O sequestro

Gustav entrou no bar, sentou-se no balcão e pediu um especial. O garçom deu um sorriso maldoso e foi preparar seu drink. O Byron não era um bar como outro qualquer, e o “especial” era o drink servido para a maior parte da sua clientela. Ingrediente principal: sangue.

Copo na mão, Gustav virou-se e observou o movimento…
Uns poucos humanos e outros tantos vampiros, que cochichavam e riam baixinho, e por vezes olhavam-no de lado. Merda!!! Fazia uns dez anos que não aparecia ali, mas ainda assim era motivo de chacota.

“Onde eu estava com a cabeça quando criei Lucius???
Onde???”, pensou e saiu do bar pisando duro.

Nao deu dois passos para fora do bar, escutou uma voz fina, afetada:

– Gugu!!! Gugu querido!!! Gostosinho….

Ah, aquilo era demais. Queria matá-lo. Virou-se e…
puft…caiu de cara no chão.

– Quem pôs essa merda de saco de lixo aqui? – esbravejou.
– Ai, Gugu… Machucou? Deixa que eu te ajudo…

Gustav olhou bem para figura que estendeu-lhe a mão delicada, com longos dedos cheios de anéis, unhas compridas pintadas com esmalte cor-de-rosa cintilante.
Trajava um terno muito bem cortado, também cor-de-rosa. Nos seus lábios sem cor, apenas um brilho, e purpurina na face mortalmente pálida. Os longos cabelos louros, muito bem tratados, emolduravam seu rosto. Esse era Lucius.

Gustav levantou-se sem ajuda e já ia começar a discutir quando percebeu que todos os vampiros do Byron estavam observando a cena. Mais do que depressa, empurrou Lucius para dentro do carro, em seguida entrando e ordenando ao motorista que os levasse para casa.

– Queridinho, a noite ainda é uma criança… Vamos caçar, dançar, nos divertir…
– Cala a boca, sua bicha louca!!!
– Quando você me conheceu eu já era assim. Por que me
transformou? E por que continua comigo?
– Por causa do seu dinheiro!!! Bicha burra!!!

Lucius pôs-se a chorar. Gustav achava que devia estar pagando pelos pecados de sua existência vampírica.
Criar um vampiro gay, burro e sentimental!!!

– Ei, Lu, não estava falando sério… É que você me deixou nervoso. Chora não…

Gustav não podia ver niguém chorar. Muito menos Lucius. Apesar de gay, ele era seu amigo. Se bem que ele poderia ser mais discreto…

Estava quase amanhacendo quando Gustav foi dormir, trancando a porta atrás de si. Logo em seguida, ouve-se um grito infernal.

Lucius sai assustado de seu quarto, esbarrando em seu criado, Sebastian.

– Por Drácula, o que foi isso?
– Veio do quarto de mestre Gustav.
– Vá na frente, Sebastian, estou morrendo de medo.
Olhe só, estou toda arrepiada!!!

– Mestre Gustav, tudo bem?

Nenhuma resposta.

– Gugu, ouvi um grito de filme de terror, estou com medinho… abre a porta, vai…

Nada.

– Abra a porta com a chave-mestra, Sebastian.

Ninguém no quarto. A alta janela, estava aberta, com os vidros estilhaçados. Fora isso, não havia mais nada quebrado, nenhum sinal de luta. Foi quando Lucius
percebeu uma grande mancha vermelha no tapete, perto
do caixão de Gustav.

– O que é aquilo, Sebastian?

O criado aproximou-se do local, abaixou-se, tocou na mancha.

– Parece sangue…
– Ooooh….. – gritou Lucius e desmaiou.

O fiel Sebastian levou seu patrão desacordado até seu caixão. Os primeiros raios de sol despontavam no horizonte.

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Parte II – Electra

Lucius fora deixado em seu quarto, desacordado. E que quarto!
Uma grande cama bem no centro, imponente, majestosa, digna de uma Barbie: os véus que escondiam parcialmente o dono da casa – quando este não estava em seu caixão branco com acolchoado rosa – eram lilases e laranjas,
intercalados, cheios de um brilho próprio do tecido; os lençóis eram rosas e estavam sob dezenas de almofadas do “Smile”; o dossel era preto – ah sim!
Lucius adorava preto: preto com pink, preto com verde, preto com laranja, preto com amarelo, etc; os enfeites da paredes eram aquelas máscaras de “papier machê”, com rendinhas e plumas; havia muitos quadros, muitos livros, muita arte, claro, ao gosto de Lucius, mas ainda assim era arte. Dormiu.
Após deixar Lucius, Sebastian dirigiu-se para a grande sala de estar da residência, já pensando, com nojo, no sangue que teria que limpar da cama de Gustav.
Sebastian cansava de falar para os dois amigos que não suportava aqueles corpos pela casa, quando os dois, Lucius e Gustav, voltavam da noite com seus jantares.
Era sangue na cozinha, no banheiro, na sala, um cheiro forte de carne apodrecendo, quando Sebastian estava de folga os dois não limpavam nada, e o pior é que tudo sobrava para ele. Todo o trabalho sujo, literalmente.
Limpava tudo com aquelas máscaras e luvas hospitalares. Quase sempre passava mal.
Sebastian tinha de raciocinar. Raciocinar para tentar adivinhar onde fora parar Gustav, já que Lucius não faria nada e ficaria em seu quarto. Quando acordasse iria lembrar-se do seu querido Gugu, teria um chilique típico dele, daria aqueles gritinhos agudos e histéricos, levaria as costas da mão à testa e cairia desfalecido em sua cama de novo. Sebastian andava de
um lado para outro na grande sala, roia as unhas (cuidando para que as roídas não caíssem no chão), e, de uma virada, arregalou os olhos e gritou:
Electra!

Longe dali (São Paulo), em Beverly Hills, mais precisamente na Rodeo Drive, deslizava um Volvo sedan dourado, com aquele néon no chassi, que ilumina o chão quando é noite, amarelo. Através dos vidros filmados, um olhar observava as vitrines masculinas, em busca de algo realmente chique. A voz da dona do olhar começou a soar, irritante e insistente:
Ah! Strauss, seu grande desastrado! Quebrou minha unha do dedinho quando quase deixou o saco cair em cima de mim! Também, com o peso daquele idiota! – gesticulava ela, deixando Strauss, seu capacho pessoal, completamente tonto – O que faço agora? Eu não tenho horário marcado com minha esteticista hoje!…
Strauss desligou-se da gralha falante e começou a pensar nas garotas de biquíni vermelho daquele seriado que se passava em outros litorais. Com cara de bobo ele ia modificando a fisionomia, olhando para cima, ele era anão, e suspirava. Aquelas garotas não olhariam para ele, aliás, garota nenhuma olharia para ele, e sua fisionomia mudou de novo, agora ele olhava para o chão, desiludido, quando ouviu:
Straus! – berrou longamente a mulher.
Ãhn? Oh! Sim madame.
Chegamos! Por onde anda essa sua cabeça de pudim?
Preste atenção! Abra a porta pra mim e acorde o homem do
saco!
O veículo dourado estacionou em frente a uma loja e a histérica desceu e ordenou o pequeno – pequeno mesmo
– Strauss a puxar o saco, literalmente.
A cena era ridícula. Na porta de entrada daquela loja lindíssima, fresquíssima e caríssima, com vendedoras que ostentavam um ar de superioridade, estavam parados um anão vestido com um mini fraque preto, alguém a se debater dentro de um saco cáqui opaco e uma mulher que merece uma descrição mais detalhada.
Por volta de vinte e sete anos, ruiva, cabelos encaracolados presos num super penteado no alto da cabeça, sustentado por fivelas douradas; corpo esbelto, bonito, sob um modelito prateado e fosco, em pleno fim de tarde, com bordados de girassóis dourados por toda a barra da saia curtíssima; outros pequenos girassóis bordados nos punhos do blazer; pernas bem
desenhadas aderiam a meia-calça cor da pele, com duas fileirinhas de strass ladeando as coxas e descendo até os pés, que eram delicados, sobre um plataforma laranja escuro; um batom da mesma cor cobria lábios finos, um leve “blush” alaranjava as maçãs do lindo rosto de traços suaves, sombras amarela e laranja corriam pelas pálpebras de olhos verdes, protegidos por um exagerado óculos ovalado, de lentes pretas e armação também laranja.
Eu só mato com estilo, seu sangue-suga! Vá para um dos Provadores e nem tente escapar, pois é impossível e me
deixaria furiosa, mais ainda! – murmurou cruelmente a interessante mulher para Gustav, que se movia rapidamente para fora do saco, conforme este era aberto por Strauss.
Se recompôs, retomou sua postura impecável, respirou
fundo, estampou um lindo sorriso nos belos lábios, olhou em volta medindo a vendedora dos pés à cabeça e foi em direção à ela:
Preciso de algo realmente fino, algo como um smoking preto, com faixa, deixe-me ver, vermelha e camisa vinho. – ordenou ela à vendedora – Ah! E um belo sapato também, é pr’aquele sang… senhor ali. -e apontou para Gustav com um sorrisinho e um ligeiro aceno de mão. Este, assustado, tropeçou em um dos
enfeites da decoração.
Vendo a vendedora dirigir-se para Gustav, ela murmurou à Strauss:
Não se esqueça de apanhar a minha estaca preferida na joalheria do Abstatt, aquela de carvalho com cabo de ouro, cravejada de rubis e brilhantes… Agora! -ordenou a mulher, berrando a última palavra.
Ela virou-se de uma vez, num rodopio, procurando onde sentar-se. Achou uma espécie de sala de estar e ficou esperando Gustav. Pediu à outra vendedora uma lixa e começou a lixar as unhas, para se igualarem com a quebrada.
Esta era Electra. Vinte e sete anos, milionária, perua e caça-vampiros.

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Parte III – Valente entra em cena

No provador, Gustav tentava por suas idéias no lugar, enquanto vestia a roupa que a vendedora lhe dera. Estava atônito. Não
era possível que ele, um vampiro com quase um século de existência, tivesse sido capturado por uma perua histérica e um anão de jardim. Tentou se lembrar do ocorrido… a última coisa que sentira foi um corte no pescoço.
Claro, haviam tirado boa parte de seu sangue. Por isso sentia-se tão fraco. De repente, a figura delicada de Lucius veio-lhe à mente. Se esses incompetentes haviam capturado-no, com certeza tinham feito coisa bem pior com seu amigo.
Precisava agir rápido.

– Moça, acho que isso não ficou muito bom – disse para a vendedora. Quando ela se aproximou do provador, Gustav puxou-a para dentro e cravou os dentes em seu pescoço.

Revigorado, Gustav foi ao encontro de Electra. Ela até que era bem bonita.
Mas as roupas… perto dela, Lucius era a sobriedade em pessoa. Ao lado dela, o anãozinho, segurava uma almofada de veludo
roxo, onde estava a estaca, cravejada de pedras preciosas. Num movimento cuidadosamente coreografado, a caça-vampiros levantou a perna esquerda e atingiu Gustav,
derrubando-o. Estranhamente, o vampiro riu.

– Está rindo do que, seu sangue-suga cafona? – indagou Electra.
– Sabia que você não era ruiva de verdade – respondeu o vampiro, piscando para ela.
– Ora, seu, seu…. – pegou a estaca e partiu para cima dele, que agarrou o anãozinho, usando-o como escudo. Cega de ódio, Electra acabou ferindo mortalmente seu ajudante e também sujando o vestido de sangue.

– Meu vestido!!! Vai manchar… Preciso de alguém para limpar isso.
Socoooorroooooo!!!!

A essa altura Gustav já estava longe. Mas Electra não estava sozinha. Um homem loiro, de baixa estatura, vestido em trajes
medievais, veio socorrer-lhe.

– Em que posso ajudá-la, formosa donzela?
– Me arrume um vestido novo… – ela o mediu dos pés à cabeça – e vista outra roupa você também.
Estranhou o pedido, mas foi atendê-lo. Voltou com vários vestidos para Electra escolher. Ele, por sua vez, trajava a única
coisa que conseguira encontrar no seu tamanho: uma calça strech preta e camiseta branca baby-look, ambas justíssimas. A caça-vampiros, já em outro modelito, olhou para bem para ele e disse:
– É, melhorou um pouco… Agora venha comigo, preciso de outro anãozinho para me ajudar a acabar com aquele vampiro!!! Qual seu nome mesmo?
– Valente.

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Parte IV
Gustav conseguiu voltar para São Paulo, deixando a histérica ridícula para trás. Teve que voltar na última classe de um avião lotado de excursões.
– Ah, que maravilha, um vôo lotado de adolescentes e jovens irritantes – pensou Gustav, que começava a sentir sede novamente – deixe-me ver, aquele rapaz ali me parece bem apetitoso, belo corpo, atlético…
Nem terminou de falar e viu o rapaz, que até então estava quieto, lendo, se dirigir à ao comissário:
– Ai! Queridinho, posso falar com você depois desse vôo? Eu estava te observando e acheique você também é g…
“Não!”, gritou em pensamento Gustav, arregalando os olhos e tratando de dormir, forçado, “Mais um ‘alegre’ não vai dar não…”, dormiu.

Chegou na casa de Lucius e foi recebido por ele mesmo, que fez uma pequena festa ao ver seu querido e amado Gugu, são e salvo, não tão são assim, mas salvo com certeza.
– Gugu! – berrou Lucius, atirando-se aos braços másculos e tão desejados de Gustav – eu estava morrendo de saudades e de medo! E se você tivesse morrido – come;cou a chorar – o que eu faria sem você?
Os dois continuaram conversando, Lucius soluçando e Gustav narrando o acontecido.
– Onde está Sebastian? – perguntou Gustav
– Ah, meu amor, ele foi atrás de uma tal de Elétrica, sei lá onde! Eu não prestei atenção pois só chorei esses dias todos! Ah, meu cisnezinho! Que bom que está bem!
E, se livrando do grude de Lucius, Gustav levantou-se bruscamente:
– Como assim foi atrás da Electra? Ele a conhece? Me conte tudo Lucius!
– Ah! – ainda choramingando – eu não sei de nada! – Lucius se pendurou no pescoço de Gustav, que foi para seu quarto, furioso, batendo a porta na cara de Lucius, que soluçou mais ainda.
– Valente, meu querido, de onde você surgiu naquela loja? – perguntou Electra – É uma longa história, eu fugi do Brasil…
– Ah! Do Brasil? Mesma terra do Gustav e daquele vampiro gay que ele teve coragem de criar! – ria, desconfiada, Electra.
– Gustav? Vampiro gay? Nada disso me é familiar. Eu fugi do Brasil porque existe um grupo de escritores, amigos do meu criador, que querem me matar, aliás, já me mataram algumas vezes, mas, eu vivi novamente, de alguma forma. Hum, você quer que eu vá atrás desse vampiro gay?
– AH! Por que quer ir atrás dele?
– Ahn, hein, ah, por nada não, nada não. – engasgou Valente ao responder à Electra.
– Sweet, nós precisamos dar um jeito de captura-los novamente, pelo que vejo em sua mente, você é um cavaleiro puritano de muitos séculos de existência, com uns gostos um tanto quanto atípicos. Mas tudo bem, se quiser, posso te transformar no que você sempre quis ser!!! – falou Electra, satírica.
– Como assim? Me transformar? Em que?
– Venha, vamos até minha casa, gracinha, que eu vou deixar você aflorar todos esses seus sentimentos escondidos sob essa pele que já viu de tudo, quer dizer, quase tudo.

E os dois foram em direção à casa de Electra, quando chegaram, a casa era no mesmo estilo “discreto” de Electra, e, ao entrar no quarto que seria destinado à Valente, este fez uma cara de espanto ao ver as roupas que já estava à espera em sua cama, arrumada pelo mordomo de Electra, Mr. Glytherman.
– Electra, madame, o que significa essas botas roxas, de plataforma, e essas roupas brilhantes?
– Sweet, você verá, agora, vá tomar um banho com seus novos sais em sua nova hidro. Eu estarei te esperando em meu quarto. Coloque esta roupa que está em cima da cama, right?

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Parte V – Nasce uma estrela

Glytherman ficou com Valente para ajudá-lo a preparar-se. O cavaleiro não se sentiu nem um pouco incomodado com a presença do mordomo durante seu banho. De onde vinha, era perfeitamente comum que serviçais auxiliassem seus mestres no banho, assim como em todo o resto. E foi com muita naturalidade que deixou o mordomo esfregar suas costas.

Após o banho, Glytherman ajudou Valente a vestir-se. Primeiro, uma calça estranha, de tecido muito fino, na cor preta.

– Chama-se meia-calça, sir – explicou-lhe o mordomo, como se tivesse lido seus pensamentos. E ajudou-lhe com a próxima peça, uma estranha veste feita de renda, chamada sutiã. A seguir, o mordomo pegou duas esferas de espuma, colocando-as sob o sutiã.

Valente começou a se sentir um pouco estranho.

– Agora o vestido, sir.
– Homens também usam vestidos em sua terra? – perguntou o cavaleiro
– Alguns sim – respondeu Glytherman, sorrindo e entregando-lhe o vestido, um tubinho feito em tafetá roxo.

Por fim, Valente calçou as botas de plataforma, também roxas, que iam até a altura do joelho. Valente ficou de pé e sorriu. Este mundo moderno era realmente prodigioso. Ficara mais alto. Bem mais alto. Tentou andar pelo quarto e quase caiu. Era difícil equilibrar-se nestas botas. Nada que um pouco de treino não resolvesse. Ficou caminhando pelo quarto, maravilhado
com suas novas vestes. Por vezes, parava em frente ao espelho, apertava o enchimento do sutiã e ria.

– Ora, ora, ora… Sabia que você tinha jeito pra coisa – Electra já
o observava fazia algum tempo. Havia dois homens com ela – Estes são meus esteticistas. Vão completar sua transformação, darling.

Imediatamente, os homens fizeram Valente sentar-se e começaram a trabalhar.
Valente ficou até atordoado. Pincéis e pós estranhos eram passados em sua face, mexiam também em suas unhas. Quando eles terminaram, Valente quase não reconheceu a imagem refletida no espelho.

– Meu Deus!!! – exclamou, levando as mãos ao rosto. Percebeu que suas unhas também estavam longas e pintadas de cor de rosa. Electra então aproximou-se dele e colocou em sua uma bela peruca, feita com cabelo natural, de longos fios loiros. Valente olhou para ela confuso.
– Seu nome agora é Valentina, dear – e caiu na gargalhada.

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Lucius tinha acabado de acordar quando seu celular tocou.

– Sim, Sebastian. Entendo. Venha para cá o mais depressa possível. E lembre-se: Gustav não deve saber de nada.

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– Valentina, querida, anime-se – Electra tentava melhorar o humor do bravo cavaleiro – Com esse disfarce, irá me ajudar a capturar Gustav e seu amigo bicha de uma só vez.
– Eu poderia dilacerá-los com minha espada ao seu comando. Mas você prefere… – Valente… ops, Valentina não teve ânimo para terminar a frase.
– Prometo que seus esforços serão recompensados, dear – sussurrou a caça-vampiros em seu ouvido, colocando a mão em sua coxa.

Valente, digo, Valentina suspirou. O jatinho de Electra aproximava-se dos céus brasileiros.

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Parte VI – final

Gustav não saíra do quarto por toda a manhã. Lucius imaginava se Gustav poderia estar pensando nele, pensando em se declarar, pensando em deixar de lado a máscara de homem e render-se.
Mas Lucius sabia que estaca delirando, Gustav era homem mesmo.
Sebastian chegou. Lucius correu para saber das novidades, se ele tinha conseguido matar Electra, por ela ter feito tamanha maldade com seu cisnezinho.

Ao mesmo tempo que Sebastian, Electra entrou, imponente, no apartamento, abrindo a porta de entrada com o pensamento e fazendo os três moradores do lugar se assustarem. Ventava, os cabelos soltos de Electra voavam ao sabor do vento, suas roupas esvoaçavam, longas, batendo na cara de Valente, vestido de Valentina, à esquerda de Electra e na cara de Mr. Glytherman, vestido dele mesmo, à direita de Electra.
Ela ria alto, como uma bruxa má, e, com gestos sutis, se aproximou de Sebastian e lhe deu um beijo de dar inveja a qualquer ator hollywoodiano, e em seguida matou-o.

Lucius estava petrificado de pavor, Gustav não sabia em que pensar.

Ela começou a relatar sua história podre.

“Quando eu nasci, papai era um vampiro do mal, batia em mamãe, que era uma fada do bem. Eu chorava todas as noites. Papai tinha um bordel. Mamãe salvava pessoas.
Eu ficava no meio disso tudo, entre o bem e o mal, entre salvar e matar. Papai morreu e me deixou o bordel. Mamãe morreu e me deixou sua varinha e seus truques. Eu misturei tudo e me tornei o que vocês estão vendo, com os truques de mamãe eu caço os vampiros, porque eu odiava papai. Mas eu não os mato simplesmente. Eu digo que vou mata-los para eles acharem que tudo acaba aí. Na morte. Mas não! Eu transformei o bordel de papai na famosa casa “Vamprel”, na Transilvania, porque nem todos os vampiros são o que os humanos idiotas vêem nos filmes e livros.”

Gustav e Lucius não entendiam. Valente sentia medo e curiosidade ao mesmo tempo. Mr. Glytherman ria como uma iena.

Electra continuou:
“Quando eu caço um vampiro eu deixo ele pensar que vai morrer mas na verdade eu o levo para o Vamprel. Quando eles chegam lá ficam arredios, tentam fugir, xingam todas as minhas futuras e passadas gerações, mas no final se conformam, e o pior, digo, o melhor, eles gostam!
E eu amo! Todos os meus vampiros são transformados em “drag, queens of the dark” e seus clientes, após suas apresentações de dança e streep teases, as levam, ou melhor, os levam para os quartos do andar de cima…
E é exatamente isso que vou fazer com vocês! Com vocês quatro! Incluindo você Glytherman, incompetente! Vamos.”

E num passe de mágica herdado de sua mãe, Electra teletransportou as cinco pessoas para o Vamprel.

Lá chegando, todos tiveram reações diferentes. Mr. Glytherman se revoltou com a madame, Gustav tentou fugir mas tropeçou no tapete vermelho do caminho e foi capturado por uma drag fiel à Electra, Lucius estava um pouco assustado mas animadíssimo para começar a “trabalhar” e Valente, pobre Valentina. Estava empolgado, porque não sabia na verdade o que ia acontecer, não sabia o que era “drag, queen of the dark”.

Mr. Glytherman contiunou obedecendo sua mestra. Não tinha outra saída, devia a vida à ela.

No primeiro dia de apresentação das novas drags, Lucius foi ao delírio e decidiu patrocinar no que fosse preciso o lugar, Electra conseguira um de seus objetivos.

Gustav, contrariado, fazia seu trabalho, pois sabia que não existia saída. Electra ria sozinha, dentro de sua mente doentia.

Valente. Coitado, quando ele descobriu o que significava “drag, queen of the dark”, todos os seus conceitos puritanos vieram à tona. Ele ficou com a cabeça embaralhada, já não sabia o que era certo e errado, conseguiu fazer umas três noites de Valentina, e não agüentou. Se trancou no quarto. Não comia. Não bebia. Não dormia. Tudo o que fazia era se lembrar de sua vida, que fora tão honrada por séculos, mas, que nos últimos meses estava mais para pastelão que para outra coisa. Estava decidido.

No dia seguinte, quando Electra ordenou a chamada de todas as drags para uma reunião de rotina, ela percebeu que sua preferida não aparecia. Gritou, se esgüelou, virou um tapa mortal no pescoço de Gustav, que caiu desacordado, deu um mortal para cima da mesa e acertou Mr. Glytherman com a perna, ele quebrou o pescoço e caiu no meio da sala, Lucius ela poupou pois precisava dele, não pelo dinheiro, mas sim porque ele era a melhor isca do lugar, o melhor filé, um filé from hell original. Era uma bicha, tinha medo, mas isso era só com Gustav, com outros ele mostrava sua face terrorista e sedutora.
Sem saber porque tinha feito tudo aquilo, talvez por ter assistido muitos filmes do Bruce Lee, Electra caiu em si e foi até o quarto de Valente, bufando e xingando as almas mais trevosas.

Abriu a porta e a cena que viu a chocou e a fez lembrar de sua mãe.
Começou a chorar baixinho. Foi embora.
A cena era emocionante.
A faxineira entrou no quarto para limpar, à mando de Electra e encontrou um bilhete escrito a sangue na cama.

“Não agüentei a dor. Lembrei-me do passado triunfante que eu tive um dia. Não posso mais continuar com essa vida, por isso fui embora. Vocês nunca mais vão me ver novamente. Eu era um bravo cavaleiro andande e valente como meu nome diz e olha o que me tornei, uma “drag, queen of the dark” de roupa roxa brilhante, sapato plataforma – até que me deixa alto – mas, não posso continuar aqui. Por isso vou embora, para sempre.
Adeus.”

A faxineira, fazendo seu trabalho, assustou-se quando olhou na janela, o corpo de Valente jazia inerte em uma corda de forca. Valente havia se matado por não agüentar tanta humilhação.

A faxineira, levando ao pé da letra as ordens da patroa de deixar o quarto limpo, cortou a corda e jogou Valente pela janela, que dava para o fosso de crocodilos-dragões de estimação de Electra.

Autoras: Priscilla Jarra e Cintia Barcellos Lacerda