Mate o Valente – por Veridiana

Lembro-me da primeira vez que o vi, altivamente montado em seu cavalo Branco, pronto para defender os fracos mortais das terríveis
criaturas da noite.

Gostei do seu cavalo, daria um lindo unicórnio e eu sempre gostei
desses bichinhos exóticos.

Achei uma tremenda ousadia aquele cavaleiro invadir minha floresta
sem ao menos pedir. Não, não me interessa que ele não sabia de minha
existência, as pessoas não invadem a casa dos outros apenas por não
conhecerem o morador.

Que coisa feia, Valente, você mereceu seu castigo…

Observei quando parou em frente ao riacho, alimentou seu animal, e
bebeu de minha água. Tirou sua pesada armadura, descansou sua espada na grama e foi banhar-se.

Devo admitir que montado ele parecia bem maior e muito mais
imponente. A água não era profunda, e imaginei que estivesse
ajoelhado; então percebi que esforçava-se nas pontas dos pés para
manter sua cabeça seca. Creio que nem sequer sabia nadar…

Até esse momento me mantive invisível em meio à vegetação. Apareci
para ele do outro lado do riacho, próxima à uma pequena cachoeira. Eu
estava nua, a brisa que batia em meu rosto emaranhava levemente os
cachos dourados de meu cabelo e este estava enfeitado com flores
sisvestres que havia colhido a pouco.

Valente surpreendeu-se ao me ver, não esperava encontrar alguém neste lugar. Percebi que ficou um tanto empolgado com a visão de meu belo corpo à sua frente, e também ficou levemente envergonhado, tentando esconder a própria nudez.

Olá linda donzela, o que fazes sozinha neste lugar?
Olá nobre cavaleiro, eu é que lhe pergunto o que fazes na minha
floresta…
Sua? Ah, tu deves estar brincando, uma criatura tão frágil como ti
não sobreviveria neste lugar tão terrível, cheio de criaturas
estranhas e perigosas… Aliás, foi uma destas criaturas que me
trouxe até aqui. Vim matar um enorme dragão.
Nesse momento senti meu sangue ferver, quem aquele projeto de gente pensava que era para vir “brincar” com meus bichinhos, principalmente meu dragão alado, tão bonzinho…. só comia gente às vezes, e há muito tempo não incendiava aldeias.

Ah, e por que você quer fazer tamanha maldade?
Maldade? Eu salvarei o mundo dessa terrível criatura.
Então você é um herói, disse me aproximando .
Bom, ( enrubesceu) se quiseres chamar assim…
Aproximei-me mais, sua cabeça alcançava a altura de meus seios.

Sinto-me tão aliviada sabendo que existe um bravo guerreiro como o
senhor para proteger-me…. posso abraçar-lhe?
Bem….
Não esperei que terminasse de responder, apertei-lhe fortemente
contra meu corpo sufocando-o entre meus seios. Valente, meio bobo nem debateu-se muito. O rubor de seu rosto foi arroxeando até que senti seu coração parar de bater.

Soltei-o. Ele esboçava um leve sorriso! Como ele queria conhecer meu
dragãozinho levei seu corpo até o animal e dividimos sua carne. Não
comi muito, mas até que estava apetitosa.

Ops, já ia me esquecendo de Branco. Aproveitei um dos ossos de
Valente e fiz um chifre para o animal; ele ficou muito belo
transformado em unicórnio. Montei em meu novo bichinho e sai
cavalgando.

Creio que pela primeira vez na vida sairei de minha floresta. Talvez
possa me divertir um pouco naquela grande cidade que fica atrás
daquela montanha….

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