Os abrigos da floresta – por Adriano Siqueira

Valente cavalgava pela floresta. Ele adorava ver os pássaros cantando e ficava procurando ninhos nas árvores para ver os pequenos passarinhos nascendo! As almas “diziam muitos” vinham daquelas maravilhas. Valente apenas deslumbrava aquela música em cantorias adoráveis! Lembrava de sua terra natal, dos homens que o idolatravam a cada vez que passava relembravam os dragões derrotados. Derrotados até aquela bruxa transporta-lo para esse mundo sem explicação, para simplesmente morrer!

Mais a frente uma garota de aproximadamente 20 anos,  estava recolhendo flores perto de uma casa de madeira. Valente lembrou da família que nunca teve, das mulheres que nunca amou, dos feitos que agora eram sonhos.  Ele vê a garota se espetando em uma das flores, o grito dela de espanto como se nunca tivesse visto sangue. Será que enfim Valente encontrou alguém inocente neste mundo que parecia ser tão perigoso?

Aproximando-se segurou nas mãos da garota e fez um curativo rápido para estancar o sangue. Ela abraçou o cavaleiro até que suas lágrimas parassem de cair. Valente escondeu seu sentimento de amargura e disse – Agora esta tudo bem garota!

Valente segura sua mão e a acompanha para a sua casa! Ele parecia uma criança pois parecia que aos poucos esse lugar tinha esperança.

Mas seus olhos estavam se abrindo a cada passo… Primeiro as moscas em volta da casa… E aquele cheiro… Ele parou a garota dizendo “fique aqui” e empunhando sua espada ele chuta a porta. Havia três pessoas enroladas em galhos mortas, sufocadas! Sua espada cai no chão. Tomado pelo pavor ele pega seu escudo e tenta cortar os galhos com força mas nada mais adianta e ele ajoelha esmurrando o chão, fica gritando: – Por quê? Mundo maldito… Bruxa maldita… Se quer me matar porque não o faz agora ao invés de ficar mostrando podridão e morte? – Mas ele levanta de repente e lembrasse da garota, aquela garota meiga e triste e agora sozinha a mercê de qualquer perigo. Ele sai em busca da garota mas nada encontra.

Um galho bate com toda a força em suas costas, atirando Valente para uns vinte metros de distância. Assustado, mas com muita raiva, ele pega o escudo e vai a forra!

-Venha demônio das árvores e eu a cortarei galho a galho e irei te transformar em uma árvore seca e sem vida!

Mas a árvore recuava…Valente olhou para trás e viu a meiga garota aqui quieta.

– Eles me protegem! Protegem das pessoas más! Aquelas pessoas dentro da cabana eram meus pais… Eles me batiam todos os dias e eram carnívoros matavam os animais e se alimentavam de sua carne pura e do seu sangue! Eles mereciam aquilo! E agora que sabe vai contar aos outros… vai tirar minha paz minha inocência! Outros virão e tentarão destruir minha floresta minha vida!

Valente segura o braço da garota … você tem nome?

– Malah.. é meu nome…

– Malah você precisa sair daqui… Aquelas coisas podem te matar!

– Nunca… Você quer me tirar dos meus amigos ?? Eles me protegem! É tudo que tenho! Você veio aqui para me destruir pelo que fiz? Por quê? Se tivesse visto eles vivos… Se soubesse o quanto apanhei…

A espada de Valente cai perto da garota … Ela pega e ele também abaixa para pegar mas ficam se olhando seus rostos se encontram e ela lhe dá um beijo.. um longo beijo… Ficam ali por um bom tempo… Ele sente todo o amor que a Malah oferece e as folhas das árvores caem sobre eles, enquanto gritos de prazer são ecoados por toda a floresta!

Horas se passaram e Valente acorda com um grito. Olhando para a garota. Cheia de galhos atravessando cada parte do seu corpo… Implorando para ajuda-la, mas não havia o que fazer. A árvore estava com todas as raizes dentro do seu corpo.  A sua voz era fraca agora. Um líquido branco esverdeado saia do seu corpo enquanto os galhos entravam por suas mãos, pés e boca, olhos. tudo. Estavam por todo o corpo! Era uma visão terrível vê-la implorar gesticulando, uma vingança por amor talvez… Valente não entendia. Aos poucos a arvore foi tomando uma forma de um casulo. O sangue no chão ia desaparecendo junto com os gemidos. Ele não se mexia, estava estático e assustando, pensando ser o próximo! Mas o silêncio retornou e quando ele ia pegar sua espada para rasgar todo aquele casulo, seus olhos viram algo que ele jamais iria esquecer!

– Dentro do casulo o corpo de Malah. Inteiro. Sem arranhões. Estava como que hibernando. Ele não podia acreditar. Era uma ilusão daquela árvore maldita para não abate-la, mas o Casulo se abre e o terror fica cada vez maior!

– Quem é você? dizia Malah… – é mais um homem para acabar com minha floresta?

– Sua voz não era a mesma… Falava como se fosse muitos. O som da sua voz vinham de vários lugares. Era bruxaria novamente.

– O que fez com Malah??

– Ela renasceu. Nunca morrerá, nunca sentirá dor. E você viu demais! Parta agora e nunca mais ponha os pés nesta floresta! Pois se fizer isso. Não terei compaixão. Ela é minha e nada lembrará do que houve! Agora ela terá o que sempre queria! Paz.. Uma floresta para cuidar e ficará com as árvores!

Valente abaixa a cabeça, chega até o cavalo e antes de ir embora definitivamente, acende uma tocha e joga no meio da floresta!

– Não… Maldito! Malah corre em direção das árvores e usa seu poder para fazer elas “andarem” para um local seguro. Queimando apenas algumas delas.

-Nunca mais volte aqui entendeu Valente…

 

Autor: Adriano Siqueira

continua…

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