A morte sempre por perto

Posted in Contos on domingo | 8 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

Cavaleiro Valente

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Brincando no Paraiso – por Demithri de Vitoriano / Wallace Pantoja

Posted in Contos on domingo | 8 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

Quando ele foi dormir as horas mortas já quase se iam. Demithri encharcado de suor se jogou na cama e salivou um filete de sangue com certo asco. O sangue não tem o mesmo gosto para todos…
Eu fiquei ali só observando o cara, engraçado como vamos pegando no sono e mal nos damos conta, cascatas de lembranças correndo para a profundidade de nossos domínios, onde nada podemos controlar ou querer. Acompanhei sua viagem até quando não havia mais consciência, apenas exaustão.
Foi um dia muito longo, um dia que durou quarenta e três precisas horas:
Tudo começou com uma carta anônima, coisa de Ludens que gosta de aparecer! Alguém chamava Demithri para uma reunião importante, ele pareceu contrariado, aí chegou o Lucian com aquele jeito de playboy exótico descompromissado:
– E aí, mano? Qual é a boa de hoje?
– Adivinha?
– Um encontro?
– Hum-hu! – assentiu Demithri.
– Com quem?
– Quer mesmo saber?
Lucian riu meio sem graça.
– Quem poderia ser?
– Psique. – disse Demithri, seco, fingindo não perceber a máscara de ódio que fluía na venta do irmão.
– É?… – aquele “é” amarelo que nunca reflete conforto.
– Vou até lá.
– Deixe-me ver o recado.
Lucian correu a vista rapidamente sem se deter em nada particular.
– Mas não está assinado, como sabe que é de Psique?
– A letra meu irmão, a letra, como poderia esquecer esta letra?
Bom, foi até este ponto que as coisas transcorreram tranqüilas e cheias de muito sentido e lentidão.
Lucian disse que iria, Demithri disse não mas os dois já corriam a uns cento e vinte em plena Almirante Barroso, pista do meio, xingando aqueles que respeitavam a velocidade permitida, o carro não era exatamente deles, mas o lugar de encontro era longe demais para ir de ônibus. Pegaram a BR rumo à Salinas, balneário do interior, badalado, onde tudo é salgado.
Depois de duas horas estavam pisando na areia fofa, uma garrafa de 51 que rasgava goela abaixo queimando tudo até bater no estômago e fazer o céu ficar mais perto! Algumas mulheres na praia piscando de leve, os dois rindo, Lucian quase agarrando uma, Demithri puxando o mano, antes o dever, antes o dever, depois a sacanagem.
Uma igrejinha de pedra, sozinha e distante. Entraram com um pisão nas portinhas podres.
– Vamos logo acabar com esta brincadeira, Psique. – Demithri interrompeu a fala com um gole visceral de cachaça.
O lugar parecia vazio. Uma fraca luz entrando não sei da onde, pousei bem junto da entrada, ninguém notaria uma pipira aquela hora, né? Os dois olharam dum lado para o outro.
– Vamos menina, não temos o dia inteiro. Algumas putas lá atrás estão esperando minha “marota”! – Lucian mal conseguia disfarçar a fúria.
– Elas vão ter de esperar, mongol. – Alguém pendurado numa das vigas do teto. – Legal vocês terem vindo!
Demithri forçou a vista, a luz atrapalhava, aquela voz não era de Psique.
Lucian tropeçou para frente, percebeu outros ali.
– Te prepara, Demithri… acho que estamos fodidos!
– Há! – riu-se o Ludens pendurado na viga – Acertou na mosca!

***********

Três dias atrás (mas eu só soube disso quando tudo acabou):

Psique caminhava pela pracinha sem movimentação alguma, arredores de Sevilha, junto a um grande campo cor de ouro em plena manhã fervente de Andaluzia. Seus olhos apertados refletindo a força que fazia para estabelecer contato com um amigo, alguém que poderia encontrar Demithri e, quem sabe, até Lucian. Precisava avisa-los mas sabia que se não conseguisse a vibração correta a coisa ficaria feia! Não havia muito tempo, aqui era um bom lugar para não chamar a atenção de curiosos, de nada adiantava se esconder, eles a encontrariam, o tempo e a vibração eram as únicas questões que lhe ocupavam agora.
“Vamos, And! Vamos, Milleny! Vamos!”, sua vontade percorrendo distâncias inconcebíveis até o jovem e risonho And. Um sopro de vento esvoaçou seus cabelos longos e negros. Sentou no chão de pedra antiga e buscou o poder para alcançar o outro… “MILLENY.”, engoliu o vento, “Eu TE CHAMO.”
Foi então que ela avistou o grupo se deslocando na sua direção. Eles vinham pelo ar? Como!? Ludens dificilmente consegue tal proeza! Ela mesmo só viu três ou quatro fazerem isto em toda a sua trajetória pela Terra! Voar significa muitas coisas na noção vampírica: astúcia, controle, experiência e, sobretudo, poder.
Psique esboçou uma reação: grunhiu antes de vomitar sua telecinésia direto no peito de um deles, que balançou, quase caindo, porém continuou inteiro. A beldade negra emitiu um último e intenso chamado mental antes de ser atirada no campo de trigo e fazer correr sangue naquela quentura tão típica de Andaluzia, onde as coisas quase sempre são conquistadas com DOR.
– Lembra-se de mim, criança? – rasgou a camisa de seda colorida de Psique revelando a tatuagem feita a fogo, letra dum idioma desconhecido pelos que caminham na superfície de encontro a luz – Ainda está do jeitinho que deixei! – riu-se Nirvana, lambendo a letra escarlate entre os seios da deusa Psique.
A mulher entortou o beiço numa máscara de asco cegando com a luz e o Sol ardeu sobre os campos de ouro.

And Milleny sentiu aquele calor tomar conta de todo o seu corpo, a começar pelo peito e daí se espraiando para todo o resto. Envergou-se até suas articulações chegarem no limiar da dor, alguém enviara um chamado desesperado… só não conseguia distinguir quem era.
Sem perder tempo ele foi direto ao aeroporto, entendera a mensagem. Comprou uma passagem para São Paulo com os últimos tostões de dólares que tinha, embarcou naquele mesmo dia, chegando lá deveria roubar outra vez e viajar até Belém. Adeus Hungria, logo agora que ele pensava em explorar o Castelo do Drácula! Tudo bem, sempre há tempo para seres como ele.
Cochilava aos pedaços, aquele chamado era estranho, como se o destino dependesse dele, mas quando enviou um pensamento em concordância não obteve resposta, talvez o outro Ludens tenha se desligado, ou alguém desligou ele…
São Paulo
And nem deixa o Aeroporto, fica espreitando uma vítima com muita grana. Sem perder tempo a avista: certa madame com carradas de base no rosto e um batom cor de sangue que ofusca qualquer pretensão de elegância. Tem uma gorda quantia na bolsa, só uma ilusão, nada de mortes, apenas um roubo silencioso e delicado. Pronto.
Avião. Tentando se ajeitar na poltrona. Aquele calor outra vez:
ATENÇÂO!
Uma energia saltando de alguém ali dentro. And estica o pescoço, procura discretamente sem virar muito, força a mente em busca daquele pulso, está a sua frente, dá para ver a parte detrás das cabeças encostadas nas poltronas, só que a energia vem dum lugar vazio? VAZIO!?
And levanta, a curiosidade atiça-o. A aeromoça corre até ele:
“Senhor, não pode levantar agora. Já vamos decolar!”
“É rápido, só um momento…”
“Não, senhor. Para sua própria segurança, não!” , a mulher o empurra com cuidado até o assento. “Espere até decolarmos, por favor!”
Aqueles foram minutos de tensão extrema. And nunca gostou de decolagens, mas na ocasião a trepidação nem o preocupou, apertava os olhos na direção da poltrona vazia como que querendo enxergar através dela… “Vamos, decola desgraça! Decola, porcaria!”. A energia fluindo esquisita dali.
Quando o avião atingiu uma altura segura o vampiro bateu no cinto e levantou num pulo, precipitou-se direto para a poltrona, tropeçando e arregalando os olhos incrédulos quando viu aquilo:
Baixinho, por isso não dava para vê-lo de lá. Cabelos castanhos cacheados e uma roupa esquisitona, parecendo uma armadura de prata mal polida, dormia feito criança, mas não era um sono natural, alguém o dopara. Seus braços eram pequenos mas guardavam junto a si uma espada descomunal… aquela coisa não pertencia ao mundo, disso And teve certeza quando invadiu sua mente: ” Defensor gentil das donzelas oprimidas! Um Gala Seca de carteirinha! Seu nome cheirava boiolagem…”
And voltou desanimado para sua poltrona, um cavalo reluzente e um monte de merda ainda cascateavam daquela mente frívola, muitas mortes, muitas mesmo e ele ainda estava ali! And segurou até o momento que pôde, mas já não era possível, explodiu numa gargalhada descontrolada, todos olharam para ele, alguns até começaram a rir! And gritava, ria, lagrimava, ofegante, ria e ria:
– VALENTE! O NOME DAQUELA MINIATURA DE “DREG” É VALENTE!
O cavaleiro despertou com aquela algazarra, cheio de meleca nos olhos e com a espada quase da sua altura. As botas de prata pareciam do Bozo, seu saiote de malha de aço tilintando alegremente e o peitoral reduzia sua cabeça pela metade, apenas os olhos interrogativos saltando de dentro da cavidade da armadura: “QUI FOI?”. Todos, inclusive sua espada, diante daquele visão, abriram a boca numa risada delirante, o avião empinou para o céu, completamente desajeitado.

A primeira vez de Valente – por Debora Gimenes – Debby

Posted in Contos on domingo | 8 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

Havia muitas pessoas na inauguração de mais uma boate de Jessica Wayne.
As vampiras dançavam e se deliciavam com o sangue dos homens.
Eis que naquele momento. valente entra e vai ter com Jessica:

_ Senhorita procuro por uma dama em apuros será que ela seria vc?

Jessica deu uma gargalhada.

_ Quem és tu cavalheiro?

_ Sou o Valente. Defensor das donzelas em perigos…

Jessica soltou outra gargalhada.

_ Aqui vc não encontrará donzelas.

_ Srta. essas suas ropuas não machucam? Parecem tão apertada.s

_ claro que não. Vc tem um cheiro de cabação… A não…

Jessica grita para todos no bordel ouvirem…

_ Meninas eu tenho um nobre cavalheiro virgem em minhas mãos. Vou ensinar a ele como se brinca aqui nessa casa agora.

Jessica arrancou a armadura de Valente a Unha. Jogou-o sobre a mesa e começou a lambe-lo todinho (isso lembrava valente de outro tipo de lambida). Jessica arrancou sua propria roupa e sentou em cima dele, fazendo varios movimentos, Valente fazia uma cara de bobo incrivel, os clientes de jessica observavãm tudo rindo do cavalheiro.
Por fim Jessica resolve sugar o sangue do coitadinho, nào dando tempo dele gozar. Ele morre sem saber qual o real significado da palavra prazer.

_ Que pena não deu nem para me divertir. – disse Jessica

_ Tbém com isso aí. -fala uma das protitutas medindo a ferramenta de valente, morto mais uma vez

Anastacia – A Viagem – por Fábio Santana da Silva

Posted in Contos on domingo | 8 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

– Deus está se manifestando muito ultimamente? Mensagens, pragas e até um de seus filhos ele colocou entre os mortais.
– Ele está com medo que Áaaaa retorne da sua prisão
– Áaaaa, quem é este?
– Um dos deuses antigos traído por seu sobrinho.
– Então ele não é o único?
– Não, mas isso não interfere em nosso destino.

Costa da China, um mês depois do encontro de Anastácia e Latoar, os dois aproximam-se de uma floresta escura. Os sons das aves noturnas já começava a ser ouvidos a distancia, não que isso importasse para os dois que protegiam-se dos últimos raios de Sol de dentro da sua carruagem.
– Latoar.
– O que você quer agora?
– Por que você me transformou nesse mostro?
– Porque você precisava de ajuda.
– Então você anda pelo mundo ajudando os pobres humanos.
– Não, você é diferente.
– Como diferente?
– Eu já disse, você precisava da minha ajuda.
– Quem disse, eu não preciso de você ou de sua maldição, não preciso de nada que velha de você.
– Saia!
– Como? Ainda não é noite.
– Saia agora! Você não precisa da minha carruagem.
– Mas eu vou morrer lá fora.
Foram as ultimas palavras de Anastácia antes de ser jogada para fora de sua proteção, exposta ao Sol enquanto a carruagem se afastava. A únicas palavras de seu algos foram, corra da luz criança, o conselho final para uma condenada. Então a carruagem faz a volta parando do lado da jovem agonizante e Latoar salta de dentro dela cobrindo Anastácia com um manto vermelho que ele carregava.
– O que você aprendeu?
– Que você não se importa comigo.
– Errado, todo pai se importa com seus filhos. Vamos procurar comida.
– Você ainda não entendeu eu não vou matar ninguém.
– Eu já estou cansado de você reclamando desde que eu lhe encontrei, ou você começa a comer ou eu vou…. o que foi isso?
E surge um homem do meio da floresta, montado em um cavalo e com uma espada nas mãos. Uma coisa que Latoar não estava esperando, afinal o que um ocidental estaria fazendo em uma floresta na Costa da China.
– Ei você, largue está donzela.
– Como você disse?
– Largue essa donzela ou eu corto você ao meio.
– Você não tem a menor idéia do que está falando.
– Eu já avisei você.
Latoar ainda sem entender o que estava acontecendo, assiste o estranho homem desmontar do cavalo e começar a corre em sua direção brandindo sua longa espada sobre a cabeça. Um esforço tão patético para demostrar sua força ao oponente que Latoar com um movimento desarma o homem e o ergue pelo pescoço.
– Eu não gosto de matar um homem que eu não conheço, então você não quer me dizer o seu nome?
– …Valente…
– Não brinca.
– Não estou… brincando…
– Tudo bem Valente, o que você faz tão longe de casa?
– Estava perseguindo um demônio.
– Perseguindo ou fugindo?
– Seu rato… solte-me e eu lhe mostrarei que vai fugir.
– Nunca falaram para você não atacar um vampiro milenar pela frente? Anastácia, está na mesa.
– Eu já falei, não vou matar ninguém.
– Ela também é um de vocês?
– Eu já disse o que ia fazer com você.
– Já, mas não vou matar ele.
– Ei vocês eu ainda estou aqui.
– Cale sua boca.
Então o incauto Valente tem seu pescoço quebrado e rasgado por Latoar, o cheiro do sangue fresco empesteia o ar despertando um lado desconhecido de Anastácia que como uma besta ataca o corpo inerte de Valente.

Caricatura do Cavaleiro Valente

Posted in Contos on segunda-feira | 2 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

valente3Desenhos de Anderson Siqueira

Coração Valente – Natasha Vamp

Posted in Contos on segunda-feira | 2 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

Em vales verdejantes um guerreiro luta bravamente,
levando a todos aos campos de batalha
todos que com ele não se intimidaram
ao ver o rei ordenar-lhes a cruel matança.

E o guerreiro persistiu,
levando seu grito pelas colinas,
seu grito de guerra ecoou pelos quatro cantos,
transformando-se em verdadeiros gritos de terror.

E o rei que antes via seu reino avançando,
viu quando todos recuavam,
ao ver o bravo guerreiro com sua espada,
desgarrar cada cabeça alienada.

O bravo guerreiro continuou,
levou a todos sua emoção sem fim,
mas um dia ele foi traído,
e desesperançoso, se deixou levar.

Sabia que encontraria os braços da morte,
mas nesse mundo de traições não queria mais ficar,
mas de sua boca o rei queria o impossível,
grite por misericórdia… era o pedido final.

E o guerreiro não se deixando dopar,
levou sua bravura até o limite,
sua honra ele demonstrou,
mesmo conseguindo do destino o último golpe.

A morte não calou seu objetivo,
levou o guerreiro feliz,
gritando “Liberdade”, foi-se embora,
da lâmina do machado para os braços cativos da sua senhora.

Ácido e Chamas na Morte Eterna – Por Viviane Simone Scholtz

Posted in Contos on segunda-feira | 2 | março | 2009 by Cavaleiro Valente

E de repente o dia escureceu, como se uma grande nuvem de tempestade houvesse chegado com a velocidade de um cervo a fugir pelos campos … todas as pessoas que estavam no mercado miraram os céus em busca da causa do fenômeno, e petrificaram ante a imponente vista: sobre eles pairava o maior dragão que qualquer um deles já havia visto em suas curtas vidas. As enormes asas cobriam toda a vila, cada garra das enormes patas guardava o tamanho de uma pessoa, e as douradas órbitas cujo olhar fariam enregelar qualquer criatura mal entrariam em uma casa.
A admirável criatura pousou sobre o morro que se erguia junto à vila, e com as batidas de suas asas ergueu o vento que destelhou parte das casas que se erguiam próximas. Unindo então suas intermináveis asas sobre o corpo, adquiriu aspecto mais esguio. Suas escamas cor do cobre reluziam ao sol cegando parte das pessoas que ousava olhar em sua direção. O odor de enxofre difundiu-se no ar, como prenúncio do destino dos mortais que ousassem bloquear seu caminho.
A voz grave soou como a energia do raio penetrando a terra:
– QUAL DE VOCÊS MÍSEROS MORTAIS É O ASSASSINO QUE MATOU MEU IRMÃO ?
Todos estremeceram … alguns desmaiaram, crianças choraram, mas ninguém ergueu a voz para se apresentar. O silêncio se seguiu interminável sob o olhar das gloriosas pupilas fendidas do dragão … o vento suspiru o início da tarde vila adentro.
– ERGUE-TE, COVARDE, OU INCINERAREI TODA A VILA EM MINHAS CHAMAS !!!”, bradou a criatura infernal.
E dentre o silêncio dos humanos uma voz fina ergueu-se abafada, entoando uma brusca canção de batalha em versos entrecortados, dignos do pior bardo da história. As pessoas se entreolharam em busca da origem da desafinada valentia, e logo notaram o nobre cavaleiro dentre seus compatriotas. Ele não se parecia com um cavaleiro que pudesse ter matado um dragão, sequer trazia cicatrizes de batalha … mas era um cavaleiro e teria de servir. A multidão agiu como uma mente coletiva, afastando-se do nobre pequeno homem e permitindo que uma clareira se formasse ao redor do pobre Valente.
A cabeça do dragão abaixou-se para poder observar melhor a figura que os repugnantes macacos lhe mostravam.
– És tu, criatura imprestável, que mataste de modo covarde meu honrado irmão ?
O cavaleiro titubeou, retrocedeu um passo, mas a balada heróica terrivelmente entoada por Deafsinger ressoou no ar:

“Ele seguia, E nada Valente temia,
Seguia contente, Salvar a donzela inocente !
Das garras temíveis, Ataques horríveis,
Hálito quente, Cor reluzente
Do dragão SilverWorm !
Cavalo veloz, lança atroz
Valente ataca e não mata !
Sua fé que sempre o protege,
Traz-lhe um anjo que preste ?
Ariel, Isael, Gabriel, Rafael ?
Não !
Anjo Manuel !
E Valente contenta-se … ”

A canção feria seus ouvidos, forçando-o a lembrar-se de quem era, e porque matara o temível Silverworm.
– SIM, DRAGÃO ! FUI EU, VALENTE, NOBRE CAVALEIRO PRATEADO QUE VAGA PELO MUNDO, FAZENDO O BEM SEM OLHAR A QUEM, QUE MATOU TEU IRMÃO !!! … mas foi sem querer …
A emenda, no entanto, apenas pareceu piorar a ira do demônio ao invés de aplacar suas chamas.
– SEM QUERER ???? Que queres dizer, não serias capaz de matar um dragão do porte de meu irmão sem intenção ! Engole tua mentira e enfrenta minha vingança com ao menos uma gota de honra !!!
– Espera ! Não ! Eu o matei para salvar uma donzela em perigo, mas ela não era bem donzela e não estava muito em perigo, e … “, Valente olhou ao seu redor em busca de apoio, mas a vila já jazia milagrosamente deserta.
– CALA-TE !!!! “, as palavras draconianas foram seguidas de um sopro de chamas rubras, que engoliu o mercado e tudo o que ele continha.
“Oh, não ! A morte em chamas mais uma vez !”, lamuriou-se mentalmente o nobre cavaleiro … mas não sentiu a dor inegável a qual jamais esqueceria. Teria sido seu corpo consumido tão rapidamente pelo fogo ?
Mas em seus ouvidos ecoou um brado que o tirou do curto transe.
– FEUERSTROM !!! Não permitirei que destruas esta inocente vila !!
… e Valente viu à sua frente uma parede de chamas, e junto dela, a franzina figura de uma garota. Ela mantinha sua mão erguida com visível esforço, como se estivesse retendo a queda de uma montanha com sua própria força. As chamas se esvaíram frente à barreira mágica, permitindo ao herói divisar o dragão de cobre ainda sobre o morro, e as plantações ao seu redor sendo consumidas em chamas.
– Oh, vejam, a pequena maga Vallerie acha que já é crescida para enfrentar-me ! “, riu-se a besta, “Retornai à escola se queres sobreviver, criança !
– Apenas se também retornares a teu covil !!!
Rapidamente Valente se interpôs entre o dragão e a maga donzela, desembainhando sua cantante lâmina Deafsinger em ameaça à fera metálica:

“E lá vai ele, sem temor e sem receio,
Lutar contra o dragão enorme, virar lanche de recreio … ”

– Afasta-te, doce senhorita, permita que eu lide com o terrível Feusteor …
– É FEUERSTROM (=Fóierstrôm), cavaleiro ingênuo ! E saia da minha frente, deixa-me proteger os inocentes !!!
– Jamais ! Farei tudo para protegê-la !!!
– És surdo ? EU protegerei a vila ! TU deves sentar no chão e calar-te !!! Deixa-me lidar com o dragão !
– MORRA CRIATURA !!!! “, o cavaleiro reluzente cruzou o campo que o separava do morro com velocidade atlética, mas a subida ao dragão exigiu demais de seu corpo, impedindo-o de atacar rápido o suficiente. A criatura facilmente empurrou-o com uma garra, e o cavaleiro rolou morro abaixo como moeda em ladeira …
– Oh, homem ! Ponha-te em teu lugar e deixa-me pôr ordem na casa ! FEUERSTROM ! Pega tua caça e vai-te daqui sem destruir o trabalho de inocentes !
– Humana vil, entregarás teu companheiro de raça à morte certa ? Vós humanos me surpreendem a cada dia !
Valente ergueu-se de sua patética queda e caminhou até a garota. Seus olhos eram verdes como a folha do lírio, e os longos cabelos alvos como a luz das estrelas, e as feições tão doces quanto as pequenas aves canoras. Tão jovem, tão inocente ! Tão capaz de qualquer coisa para salvar seus congêneres ! Em sua fraqueza e desespero, entregaria o nobre cavaleiro para lutar ! Quanta honra !
– Não temas, donzela ! DRAGÃO ! AFASTA-TE E LUTAREMOS MAIS ADIANTE !
O réptil sorriu e virou-se, afastando-se da vila, invadindo a planície que se estendia além do morro. Teve de aguardar ainda quase por uma hora para que o pequeno humano chegasse ofegante ao local da batalha. Atrás dele seguia a jovem maga Vallerie.
– Não preciso … arf arf .. de tua ajuda … arf arf …
Um urro da criatura marcou o início da batalha … as chamas devastaram as plantas em todo o redor, só poupando o cavaleiro e a donzela por parte da magia que mais uma vez se fazia útil.
– … ou talvez tua beleza tenha alguma utilidade nestes campos infernais.
– Vá e luta como um cavaleiro de verdade, homem !
Valente obedeceu … correu em direção da criatura com a espada sonora em riste, correndo, atravessando o campo com toda a coragem dos nobres de armadura, avançando em direção ao inimigo sem temor, demonstrando a valentia que lhe emprestava o nome e seguindo em frente rapidamente no seu ataque …
“Oh, Branco, meu fiel cavalo, que fim levaste nas mãos daquela vil criatura ? ”
Ao final de longos minutos o atacante chegou próximo de seu alvo e procurou desferir um golpe … apenas para ouvir sua espada ganir de dor ao ricochetear nas escamas metálicas. Tentou ferir a criatura mais uma vez, e outra, mas os pedidos “Pára ! Pára!” de sua espada o impediram de seguir em seu inútil intento. Não demorou para que a dantesca garra novamente o lançasse metros adiante.
– És tolo, cavaleiro ? Deverias saber que os grandes dragões da dinastia de Meriliha só são mortos pelo interior !
– Oh, bem … “, Valente ergueu-se, ” Agradeço tua valiosa informação. Devo então confiar à minha fé a ajuda necessária para matar este réptil também ! Anjos da guarda ! Anjos meus que me foram legados por minha doce mãe em seu leito de morte ! Ajudai-me em minha missão de livrar o mundo deste mal ! Vinde a mim, ó, anjos !!!

… tu – tu – tu – tu …

– O que ? Em que errei ? Deixa-me tentar novamente … Anjos da guarda ! Anjos meus que me foram legados por minha doce mãe em seu leito de morte ! Abri teus ouvidos e ajudai-me em minha missão de livrar o mundo deste mal ! Vinde a mim, ó, anjos !!!

… tuuuut – tuuuut .. *click* “Você chamou os portões dos céus. Perdoa-nos, mas no momento nenhuma entidade angelical pode atender. Por favor, deixa teu recado após três ave-marias … ”

– Pelos santos, o que farei agora ?
– Abaixa !
O casal heróico jogou-se ao chão bem a tempo de escapar de uma bola de fogo, que foi estatelar-se na base do morro …
– CHEGA DE BRINCADEIRAS ! Cavaleiro ! Agora pagarás pela morte de meu irmão !
– Espera ! Permita que eu reze antes de minha morte ! Apenas três ave-marias !
– MORRA !!!! “, e junto às palavras mais uma labareda percorreu o ar com grande velocidade, encontrando porém a barreira mágica da maga antes de atingir seu objetivo.
– Já sei, cavaleiro … se fores engolido, talvez possa atingir o dragão por dentro …
– Piras, donzela ? Ele é chamas por dentro !
– Eu te protegerei com minha magia ! É tua única chance !
– Se assim me dizes … confiarei em teus olhos e tua doce voz …
– Aproxima-te com cautela, e quando ele se abaixar para lançar sua chama rente ao solo, lançarte-ei com minha magia para dentro da bocarra … meu escudo mágico te protegerá, não temas. Uma vez dentro, procura danificá-lo como podes ! Agora vai !
O cavaleiro partiu em seu ataque a Feuerstrom, pouco convencido da potência da magia da jovem garota, mas resoluto a seguir o pedido de uma donzela. Chegou junto do monstro procurando evitar os ataques de fogo, mas sem sucesso. Não fosse a magia de Vallerie, já teria queimado várias vezes. Porém o esforço de ambos não foi em vão … o cavaleiro conseguiu provocar o demônio e ser jogado para junto de seus dentes, arrastando-se para dentro. A magia da menina mostrou-se eficiente, protegendo- o de ser posto em chamas, mas pouco efeito tinha sobre o calor infernal ou as tentativas do monstro em expelir o humano …
Mas Valente prosseguiu em sua empreitada, e dentre os momentos tão terríveis de sua vida, jamais imaginou ter de ser engolido vivo por um dragão. Dentre o calor que insistia em fazê-lo sofrer e o ambiente inóspito que o fazia sufocar, o cavaleiro arrastou-se até ouvir as batidas surdas do grande coração bem próximo de si, onde enfiou sua fiel espada que emudecera frente à situação. O sangue ácido jorrou para cima de Valente, e desfez sua carne arrancando-lhe a vida mais uma vez … o corpo do dragão explodiu como vulcão, lançando labaredas e ácido por todo o redor, extinguindo plantas e animais, maga e vila, em um não pequeno raio de destruição.
E quando Valente abriu os olhos, a noite já havia chegado e soprava gelada sobre o campo devastado. Olhou ao seu redor e viu só escuridão. O que acontecera ?
– Vallerie !!! VALLERIE !!!! Vencemos, minha donzela ! Onde estás ?! Terá pensado que morri dentro do dragão ? Ao menos, Feustromor está tão morto quanto seu irmão … agora devo partir em busca de meu fiel garanhão, e resgatá-lo da posse daquela enganadora de inocentes …
– Aonde vais … “, dois enormes olhos dourados abriram-se dentre a escuridão, não longe de onde o cavaleiro estava. O cheiro de enxofre tornou-se mais forte, e a fraca luz da lua, parcialmente encoberta por nuvens de cinzas, mal fez distinguir as escamas metálicas em meio à escuridão. “… nossa luta não terminou.
– Não morres ? Como ?!
– Ouvi de um homem que como eu, não possuía o dom da morte. Parece que finalmente te encontro. E enfim poderei saciar meu desejo de matar-te vezes por conta, até cansar-me ! SOFRA, HUMANO !
E novas labaredas iluminaram o campo desértico, buscando sua vítima …

– a Meu Querido Valente –
– de Wyrm –